"Mineira passa de faxineira a pesquisadora de Harvard

Ilma Paixão estava decepcionada com o Brasil quando resolveu deixar o país em 1984. Não era apenas a crise econômica que assolava o país que a incomodava, mas a falta de oportunidades para 'mulheres e, principalmente, mulheres de cor', disse.
(...)
Ilma tinha 20 anos e trabalhava como enfermeira em Governador Valadares quando soube que um empresário carioca estava ajudando valadarenses a deixar o país.
'Quem contou para a gente das oportunidades da vida lá fora, quem abriu nossa mente foi o empresário Roberto White, que ajudou vários valadarenses a deixarem o Brasil entre 1984 e 86. Eu vim com um grupo dele, com a cara e com a coragem', disse Ilma.
(...)
'Ninguém trabalhava menos que 60 horas por semana. Mas, na época, se ganhava bem, já dava para fazer uns U$7 ou U$8 por hora', conta.
Ilma guardava dinheiro para ajudar a família no Brasil e continuar a vida nos Estados Unidos. À medida que a situação melhorava, ela trazia os parentes do Brasil. Quando teve a primeira filha, em 1987, chamou a irmã e a sobrinha, depois trouxe o irmão e os sobrinhos.
Quando os filhos já estavam um pouco maiores, ela começou a trabalhar como doméstica. Foi a partir desse período que seu envolvimento com a comunidade brasileira se tornou maior e aumentou seu interesse pelo engajamento social e político.
(...)
Quando uma das sobrinhas entrou para a escola, em 1986, Ilma passou a trabalhar ativamente em campanhas para levantar fundos para a instituição, fazia reuniões com pais e começou consolidar a trajetória de ativista social.
Seu interesse nas atividades sociais e como líder comunitária fez com que fosse eleita, mais de uma vez, como a presidente da Bramas (Brazilian American Association), que presta assistência a brasileiros em Framingham.
No entanto, foi o projeto Handeiras, criado por ela em 2003, com o intuito de capacitar rendeiras brasileiras da comunidade indígena de Xukurus, que lhe rendeu o título de professora associada no Centre for Reflective Community Practice do Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT, na sigla em inglês), que trabalha com desenvolvimento econômico para comunidades e inovações comunitárias.
A idéia do projeto é simples: Ilma vai até o Brasil, seleciona algumas peças produzidas pelas rendeiras e as vende como produto artesanal em lojas nos Estados Unidos. O dinheiro revertido é reinvestido na comunidade em escolas, cursos de capacitação, construção de ateliês e outros projetos.
(...)
'É maravilhoso poder retornar ao Brasil e fazer alguma coisa para ajudar', disse Ilma.
Apesar do entusiasmo e dos esforços para auxiliar os brasileiros, Ilma não pensa mais em voltar ao país.
'Mesmo achando que poderia ser de grande valor no meu país, não acho que o Brasil valorizaria um talento como o meu. O Brasil é um país de aparências e eu jamais conseguiria viver pensando que a sociedade está mais preocupada com o que eu tenho do que com o que sou', disse."
[FONTE]
Primeiro, uma errata sobre o texto: ao ler, vocês perceberam que ela se tornou associada do MIT (Massachussets Institute of Technology), e não de Harvard, como havia enunciado o título.
Mas, independente de onde foi, é simplesmente fascinante a história desta mulher. Uma despretenciosa sub-empregada, passou simplesmente a fazer o que ela achava correto para ajudar a melhorar a vida das pessoas à sua volta, e então as oportunidades a conduziram a um êxito profissional e pessoal que tantas pessoas almejam e tão poucas alcançam. Uma pena que tenha precisado sair do país de origem para que isso pudesse acontecer.
Ilma Paixão estava decepcionada com o Brasil quando resolveu deixar o país em 1984. Não era apenas a crise econômica que assolava o país que a incomodava, mas a falta de oportunidades para 'mulheres e, principalmente, mulheres de cor', disse.
(...)
Ilma tinha 20 anos e trabalhava como enfermeira em Governador Valadares quando soube que um empresário carioca estava ajudando valadarenses a deixar o país.
'Quem contou para a gente das oportunidades da vida lá fora, quem abriu nossa mente foi o empresário Roberto White, que ajudou vários valadarenses a deixarem o Brasil entre 1984 e 86. Eu vim com um grupo dele, com a cara e com a coragem', disse Ilma.
(...)
'Ninguém trabalhava menos que 60 horas por semana. Mas, na época, se ganhava bem, já dava para fazer uns U$7 ou U$8 por hora', conta.
Ilma guardava dinheiro para ajudar a família no Brasil e continuar a vida nos Estados Unidos. À medida que a situação melhorava, ela trazia os parentes do Brasil. Quando teve a primeira filha, em 1987, chamou a irmã e a sobrinha, depois trouxe o irmão e os sobrinhos.
Quando os filhos já estavam um pouco maiores, ela começou a trabalhar como doméstica. Foi a partir desse período que seu envolvimento com a comunidade brasileira se tornou maior e aumentou seu interesse pelo engajamento social e político.
(...)
Quando uma das sobrinhas entrou para a escola, em 1986, Ilma passou a trabalhar ativamente em campanhas para levantar fundos para a instituição, fazia reuniões com pais e começou consolidar a trajetória de ativista social.
Seu interesse nas atividades sociais e como líder comunitária fez com que fosse eleita, mais de uma vez, como a presidente da Bramas (Brazilian American Association), que presta assistência a brasileiros em Framingham.
No entanto, foi o projeto Handeiras, criado por ela em 2003, com o intuito de capacitar rendeiras brasileiras da comunidade indígena de Xukurus, que lhe rendeu o título de professora associada no Centre for Reflective Community Practice do Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT, na sigla em inglês), que trabalha com desenvolvimento econômico para comunidades e inovações comunitárias.
A idéia do projeto é simples: Ilma vai até o Brasil, seleciona algumas peças produzidas pelas rendeiras e as vende como produto artesanal em lojas nos Estados Unidos. O dinheiro revertido é reinvestido na comunidade em escolas, cursos de capacitação, construção de ateliês e outros projetos.
(...)
'É maravilhoso poder retornar ao Brasil e fazer alguma coisa para ajudar', disse Ilma.
Apesar do entusiasmo e dos esforços para auxiliar os brasileiros, Ilma não pensa mais em voltar ao país.
'Mesmo achando que poderia ser de grande valor no meu país, não acho que o Brasil valorizaria um talento como o meu. O Brasil é um país de aparências e eu jamais conseguiria viver pensando que a sociedade está mais preocupada com o que eu tenho do que com o que sou', disse."
[FONTE]
Primeiro, uma errata sobre o texto: ao ler, vocês perceberam que ela se tornou associada do MIT (Massachussets Institute of Technology), e não de Harvard, como havia enunciado o título.
Mas, independente de onde foi, é simplesmente fascinante a história desta mulher. Uma despretenciosa sub-empregada, passou simplesmente a fazer o que ela achava correto para ajudar a melhorar a vida das pessoas à sua volta, e então as oportunidades a conduziram a um êxito profissional e pessoal que tantas pessoas almejam e tão poucas alcançam. Uma pena que tenha precisado sair do país de origem para que isso pudesse acontecer.
Categoria(s): Notícias


